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sábado, 15 de setembro de 2018

CONVERSA COM O TRAVESSEIRO


Como se pequena fosse, lembrando-me das lágrimas que enxugava nas suas fronhas, tive coragem novamente de procurar o meu único amigo, aquele que todo mundo nunca vai ter decepção e sempre conversa com ele, o travesseiro. Por que? Perguntei eu a ele, se o amor é tão bom, por que sofremos tanto? Por que duas pessoas que se amam tanto insistem em ficar separadas, chegando até a ficar doentes? Será uma utopia, o amor? Ou, perde para o medo e para a covardia? Por que é que não tenta? Sempre vale a pena arriscar. 

É uma graça tão grande você receber, na idade avançada, o amor de adolescente, tão puro e magnânimo. Por que insistimos em ficarmos juntos de quem nos escraviza? Onde a chave das algemas está em nossas mãos, em nossa coragem? Eu arriscaria, porque aquele que vive sem conhecer o verdadeiro amor, não viveu. 

Sabe, meu travesseiro? Se ele me ama tanto como diz, por que ele não lembra da coragem que ele tinha na adolescência? Se podemos dizer que há alguma coisa que preste na adolescência, é a coragem, a rebeldia, é não ter o medo de arriscar, é acharmos que estamos sempre certos, com isso, não temos o medo de errar, e se erramos, valeu, pelo menos arriscamos. Agora na velhice não, a acomodação é tão grande, mesmo que soframos uma dor insuportável pela falta de estarmos juntos do ser amado, usamos como desculpa, já estou velha demais para ariscar e se ela me der um chute por outro mais novo? Não, no fundo você sabe que ama e é amado, mas nossa, dividir todos os bens com quem o escraviza, ex: "Nããão!! Eu trabalheiro muito tempo pra ter tudo isso. É sempre bom lembrar que caixão não tem gaveta e na velhice, já estamos sendo rodeados pela morte, e éssa é implacavél, mas se você ama de verdade, voce pode até atrasar a tua morte, o remédio é ficar junto da pessoa amada, mesmo que só seja um, dois, três dias, não importa o tempo, experimente, vai valer a pena. Seja feliz e faça-a feliz e que tudo mais vá para o inferno, como dizia Roberto Carlos. 

Kátia Paes
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O CARIOCA SÓ TEM AGORA A PRAIA PORQUE NÃO PODE TOCAR FOGO




Estou de luto. Luto pelo museu que era um pedaço da Europa no Brasil. Choro como se perdesse um ente querido. Quantas vezes eu não tinha aula e ficava naquele jardim interno dele, via os fetos no formol, desde o momento da concepção, até seis meses, via as múmias, como era bom, e depois eu imaginava que estava na França, olhando os jardins internos, os seus tetos todos pintados, seus salões. Um povo que não cuida do seu passado não é povo. Quem não tem respeito com seu passado não tem futuro. É só o que a gente está vendo hoje, só corrupção, eu sei porque a justiça no Brasil agoniza e alguns, eu digo alguns juízes tentam modificar, mas se não houver a ação do povo em massa não vai mudar. Eu vejo o futuro do Brasil como aquele que vai nadar e morre afogado, se debatendo até afundar e padecer. Que tristeza, meu museu! Um museu onde muitas vezes eu apanhava da minha mãe e ia me consolar com ele. Que coisa mais linda! Ele não merecia ter esse triste fim, mas o brasileiro tem o ditado: “Lavou, tá limpo!”, mas no caso desse museu não, o museu da minha infância. Ainda bem que o Sr. Clóvis Bornai, meu amigo, se foi antes dessa tragédia. Era a nossa memória, é a nossa origem que vocês deixaram queimar como se queima um lixo. Nós não temos futuro. Eu estou de luto e todos que gostavam dele. Lá tinha peixes de todo o mundo, múmia, um museu dos mais completos, só arquitetonicamente ele era um espetáculo. Meus pêsames, povo carioca, vocês já tinham acabado com o Palácio Monroe e agora deixaram acontecer com o Museu. Quem compactua com o errado é mais errado ainda. O que esperar de um povo inculto? Imbecis!

Kátia Paes