PARA QUEM ME INVEJA
Não sabe o que eu sofri; não sabe quantas noites eu fiquei sem dormir pensando por que eu havia nascido; não sabe quantas surras eu levei de chibata ou de duas correias dobradas, sem merecer, na maior parte das vezes eu não merecia, e aí, quando perguntavam no colégio: "Por que a Kátia não está vindo?", quando ligavam para casa, aí a minha mãe dizia que eu havia caído e me machucado muito, estava de cama e quando queriam me visitar ela dizia que eu estava toda inchada, coitada. Até que um dia, um anjo chamado Eidi de Souza, professora de História que eu tenho como uma mãe verdadeira e é tão bonita as nossas cores. Ela era negro como ébano e eu, loira como trigo, mas olha, o nosso doce coração era vermelho paixão, de filha e mãe. Às vezes, não poucas, depois de eu apanhar, ela me botava no banho de água quente. Ai como dói! Só quem apanhou desse jeito sabe o quanto dói, quanto dilacera não só o físico, mas a alma. Quem me inveja, inveja o que vê externamente, não a Kát...

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